Entre Algoritmos e Dragões

Escrito por Diego Fernandez


Lembro-me de que, por diversas vezes, eu e o Pedro Peregrino jogamos RPG, especialmente a 5ª edição de D&D. Tínhamos visões bem diferentes sobre o jogo, mas conseguíamos jogar juntos e felizes. Minha visão é de que o RPG, principalmente o D&D, seria a evolução do jogo de tabuleiro, criada por pessoas que amavam o Wargame e queriam dar um pouco de personalidade para os personagens e lutar em um ambiente onde cada personagem tivesse mais significado. Um significado ampliado por História e ambientação.


O perfil do Pedro numa plataforma digital de RPG.

Talvez o Pedro tivesse uma visão mais purista, acreditando que o combate era algo relativamente secundário no RPG. No entanto, como um bom cientista da computação, ele conseguia otimizar seu personagem com maestria quando o cenário exigia. Alguns dos meus aniversários foram comemorados online, reunindo pessoas espalhadas por diferentes continentes. Recordo-me de uma vez em que o Alan estava longe, talvez na África, acho que no Egito; o Ivo estava na Europa, o Marcos Rafael no Canadá , o Pedro e outras pessoas distribuídas em diferentes cidades do Brasil. Mesmo distantes, conseguíamos celebrar meu aniversário jogando RPG online. 

Fora de aniversários, lembro de uma masmorra particularmente difícil, um desafio "tryhard". Com cinco personagens bem otimizados — incluindo o do Pedro —, conseguimos vencer um chefão de ND (Nível de Desafio) 19 sendo nós apenas nível 8. E não era um chefão sozinho; ele estava acompanhado de lacaios de ND 11. Também foi uma jornada desafiadora até chegarmos à sala do boss, mas nos divertimos muito.

Acumulei cerca de 5 mil horas de D&D e me arrisquei como designer de regras de balanceamento e batalha em massa. O Pedro e eu tivemos várias discussões sobre regras de balanceamento no RPG. Nos meus aniversários, eu contratava um mestre — como o Panda, que foi excelente e continua sendo meu amigo — e pedia que ele explicasse com antecedência e aplicasse essas regras extras que eu desenvolvia. Apesar do embate, o Pedro buscava experimentá-las criando personagens otimizados (que seriam ruins em otimização se não fossem por essas regras).

Eu via no Pedro alguém que compartilhava dos meus gostos: jogos de tabuleiro, RPG e até jogos de computador. Mesmo quando nos tornamos pais de família, mantivemos esses hobbies dentro do possível.

 Ele era uma pessoa muito simples e aberta: sempre fácil de se aproximar e conversar. Fazia brincadeira e geralmente alegrava o ambiente. Nos tempos de faculdade ele era um "bicho grilo", se vestia sem se importar com roupas de marca (ou mesmo combinando) e com a barba sem fazer.

Quando fui a Belo Horizonte, ele me acolheu generosamente em sua casa. Não me recordo exatamente de quanto tempo fiquei — talvez tenha sido apenas um dia —, mas foi um tempo muito bom. Jogamos até um jogo de tabuleiro sobre tribos vikings junto com a esposa dele e não lembro se mais alguém.

Um dos jogos que jogamos no fds em BH.

Além dos interesses em comum, ambos éramos crentes, casados e nos conhecíamos desde a faculdade. 

Sinto-me privilegiado por ter tido o Pedro Peregrino em minha vida, embora carregue o arrependimento de não ter interagido ainda mais ou construído uma amizade mais sólida. Guardo com carinho as lembranças das nossas sessões de RPG. Ele adorava escrever uma longa história e interpretar o personagem de acordo com ela. 

Que Deus abençoe quem estiver lendo este relato. Agradeço a Deus pela oportunidade de ter conhecido o Pedro e de tê-lo tido como amigo.

(Texto a partir de transcrição de áudio)

O personagem de RPG do Pedro circa 2020.


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