A Fogueira e a Vigília

Escrito por Miguel Laper



Não sei ao certo quando conheci o Pedro na Igreja Batista Reviver (IBR), porém, desde que me entendo por gente, o Pedro sempre fez parte da comunidade. Por ser alguns anos mais novos que ele, não tínhamos um real contato durante a minha infância. Me recordo somente que ele fazia parte dos “cabeludos do louvor”. Me aproximei do Pedro durante a minha adolescência, pois ele sempre foi extremamente participativo nas atividades do “JÁ” (Jovens e Adolescentes da IBR). Se eu pudesse resumi-lo em dois atributos, seriam “de coração enorme” e “peculiar”. Dessa maneira, contarei duas breves histórias que destacam esses atributos tão marcantes do Pedro.


A Fogueira

Em um dos acampamentos dos JÁ-IBR (o de 2009, se não me falha a memória), uma das programações da noite foi reunir todos os integrantes para uma noite na fogueira. Vale destacar que o Pedro sempre demonstrou interesse nas atividades que envolviam fogueiras. À medida que a noite passava, as pessoas “perdiam” para o cansaço e se direcionavam até os dormitórios para dormir.

Me lembro que eu, Pedro Lança e Mário Neto fomos uns dos últimos, e acabamos saindo para conversar em outra parte do sítio (cerca de 2 horas da manhã). Conversa vai, conversa vem, (já se passavam das 3:00), escutamos latidos de um cachorro bravo no sítio. Por conta disso, fomos correndo até o dormitório. Assim que entramos, 3 minutos depois escutamos passos na porta. A porta se abre. Era o Pedro (Augusto).

- “Que isso Pedro? Onde você estava?”

- Na fogueira.

- “Com quem Pedro?”

- Sozinho.

- “Como assim Pedro? O que você estava fazendo sozinho lá?”

- Eu estava tentando vencer a fogueira.

- “Vencer a fogueira?”

- Eu fiquei sozinho tentando dormir apenas depois que a fogueira apagasse.

Porém, comecei a ouvir os latidos de um cachorro grande, então desisti do desafio. Infelizmente não saberei se eu venceria a fogueira ou não.

Sim, Pedro era um cidadão bem peculiar.



A vigília

Pedro sempre esteve presente nas vigílias realizadas pelos JÁ-IBR. Em uma dessas reuniões, em 2013, teve uma situação que me chamou muita atenção em relação ao Pedro.

Cerca de 00:00 – 01:00, escutamos alguém bater no portão da igreja. “- Nossa, será que alguém do grupo chegou tão atrasado para a reunião?” Eu e Pedro fomos até o portão. Era um morador de rua pedindo comida. Prontamente o Pedro foi fazer um sanduíche para ele enquanto fiquei conversando com o morador. Quando ele trouxe o sanduíche, o morador perguntou:

- “Por acaso vocês teriam chocolate branco?”.

Respondi que não, porém o Pedro falou: “Espere um instante!”. Um minuto depois, ele volta: “Fui pegar a minha carteira! Vou procurar algum aberto na rua (OBS: ele não estava de carro) para pegar um chocolate branco para você!”.

Sim, Pedro era um cidadão de coração enorme.




A singularidade do Pedro sempre foi algo marcante, seja para ter o sistema próprio de como colocar as louças na máquina de lavar (só ele podia fazer isso na sua própria casa), seja para obrigar todos do grupo de amigos a usarem máscaras para jogar Codinome/Código Secreto (a fim de evitar expressões faciais por parte dos líderes da rodada), etc. Porém, mais marcante ainda foi a sua disposição em servir os outros. Um homem doce, que sempre buscou servir através de seus atos. Pedro, um grande amigo de coração enorme.



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